7 Razões pelas quais minha startup de IoT falhou

7 erros que faliram minha startup

Eu tomei a liberdade de traduzir este artigo pois achei muito relevante para o cenário de empreendedorismo que vivemos hoje, quando startup é sinônimo de sucesso, investimentos e um mundo sem fim de facilidades.

Muitas vezes assisto palestras e vejo notícias falando que Fulano tem uma startup X, ou ainda, que startup Y recebeu um aporte milionário para sua idéia e afins. O que mais me chama a atenção é a palavra Startup.

StartUp, como o próprio nome diz, é o começo da empresa. O que se espera depois de um certo tempo é que a empresa deixe de ser uma startup e torne-se uma empresa independente, com boa saúde financeira e gestão independente.

Desta forma, o correto seria dizer que minha empresa ESTÁ startup, e não, como vemos com frequência, que a empresa É uma startup.

Devaneios a parte, vamos ao artigo que conta a história da startup Lumos, na visão de seu sócio Yash Kotak, cujo o link original está em  http://yourstory.com/2015/06/iot-startup-fail/. Vamos a ela:

7 razões pelais quais minha startup de IoT falhou

Depois de 4 meses de jornadas de trabalho contínuas de 14 horas por dia, criando um produto de IoT (Internet das Coisas), do rascunho ao protótipo funcional e gastando muito dinheiro dos investidores, eu e meus dois sócios fundadores percebemos que nosso produtos não era vendável.

Nós precisávamos fazer alguma coisa a respeito ou nossa startup estaria condenada. O mês era Dezembro de 2014.

Sendo todos nós empresários de primeira viagem, nós fizemos centenas de erros. Eu vou enumerar aqui os 7 maiores erros que em minha opinião nos levaram a nossa quebra. Mas antes, vou contar um pouquinho de nossa história.

Julho de 2014

Nossa visão era de criar switches super inteligentes e conectados a Internet que aprendiam o comportamento do usuário e personalizaria os eletrodomésticos da casa para se adaptarem ao seu dono. Nós chamamos este produto de Lumos (Sim, eu sou fã de carteirinha do Harry Potter!)

Nós buscamos junto a IIT-Gandhinagar uma forma de sermos incubados e receber investimentos (semente e anjo). Nós transformamos nosso laboratório em nosso escritório e a saga Lumos começou!

Nós trabalhamos como loucos. Sendo engenheiros e tendo um problema para resolver nós esquecemos todo o resto e simplesmente criamos nosso produto. Nosso primeiro protótipo que automatizava as luzes estava pronto em 45 dias.

O segundo protótipo que controlava luzes, ventiladores, ar condicionados e aquecedores de água estavam pronto no mês seguinte. Muito rápido para um time de 2 pessoas que construiram o hardware e o software em uma única tacada!

Novembro de 2014

Nós trouxemos mais um sócio a bordo para nos ajudar com nossa máquina de aprendizado. Na metade de Novembro nós saímos da versão feia e desengonçada para um produto bonito e bastante apresentável. Em Dezembro, nós estaríamos prontos para apresentar nosso produto para os investidores e iniciar uma nova rodada de aportes de investimento.

Nós estaríamos no trilho para iniciarmos a comercialização de nosso produto em até um ano. Nós estaríamos satisfeitos. Os investidores estariam satisfeitos com a gente. A vida seria ótima.

Dezembro de 2014

Só que não! Nós subestimados o trabalho, o tempo e o investimento necessário para lançar o produto no mercado. Nós super estimamos a utilidade de nosso produto.

“Seria necessário vender o produto com o preço de 4 a 5 vezes o valor dos custos dos componentes do produto. Como não previmos isto?”

Nosso preço estava totalmente fora do mercado. E quando percebemos isto, nós estávamos em crise.

Janeiro de 2015 a Abril de 2015

Nós fomos forçados a realizar grandes pivotagens (mudança de planos). Nós tínhamos que voltar a prancheta de rascunho e pensar em sobre o que iríamos trabalhar desta vez.

Não saber em que irá trabalhar e sabendo que o dinheiro está para acabar não é nada bom para um startup.

Nós fizemos besteiras ainda maiores. Nós deixar o setor de IoT e um de nossos fundadores decidiu que era hora de abandonar o barco e encontrar um emprego.

Agora que você entendeu nosso contexto, aqui vão os 7 principais erros que fizemos na Lumos e o que aprendemos a partir deles:

Erro 1: Nós não éramos nem especialistas nem usuários do produto que estávamos criando

Nós nunca tínhamos usado um produto de uma casa inteligente. Nós não éramos especialistas no setor de IoT. Quando você é inexperiente em algo, você precisa pedir ajuda.

Se nós fôssemos usuários de switches inteligentes nós saberíamos que o valor agregado que o nosso produto se propunha era pequeno. Se fôssemos especialistas em  IoT, saberíamos que o preço de nosso hardware era muito caro.

Evitando este erro você também evitar um monte de outros erros que são oriundos deste.

Aprendizado: Trabalhe em algo que você é especialista ou é um bom usuário. Se não, torne-se um usuário avançado do seu produto.

A fundados da Homejoy, Adora Cheung, trabalhou ela mesmo como faxineira para aprender seu negócio em detalhes.

Erro 2: Nós não demos a atenção devida aos detalhes do produto que estávamos construindo

Nós não entendíamos a competição do mercado bem o bastante. Nós não sabíamos quem era nosso consumidor e se o valor que estávamos oferencendo para ele era devidamente percebido por ele.

Sempre é possível validar ou invalidar hipóteses sobre o produto, mercado e os concorrentes sem ter necessariamente que construir o produto.

Uma forma que nós poderíamos ter feito isto seria vendendo produtos já existentes para nossos potenciais clientes.

Aprendizado: Eu aprendi que este é um método que acelera muito a percepcão do que está sendo construído frente ao mercado. Faça uma lista de hipóteses sobre seu mercado, produto e concorrentes. Coloque a mão na massa e valide estas hipóteses para que você não tenha que “quebrar” sua empresa para validá-los.

Faça uma lista das probabilidades que validou e o risco que oferece para sua empresa. 

Erro 3: Nós achamos que nós éramos mais inteligentes que todos os outros

Eu tenho visto isto nas dezenas de empreendedores que eu conheci. Eu acho que esta forma de pensar já vem junto com o empreendedor; é justamente esta forma de pensar que tem “quebrado” os empreendedores e levado bilhões de dólares das empresas e tirando-as “do jogo”.

Este pensamento pode ser uma bomba relógio, como foi em nosso caso. Nós achávamos que empresas como a Belkin vendiam switches a $50. Como eles podiam ser tão estúpidos? Eles não sabiam que se vendessem a um preço menor teriam maiores volumes? Nós iríamos vender switches pela metade do preço. (Uhuu!)

O algoritmo de aprendizagem da Nest’s não é boa, mas a nossa seria. Pegou a idéia?

Aprendizado: Você tem que ser mais esperto que seus concorrentes para bate-los. Mas você precisa ser apto a responder exatamente o porque você é melhor que seu concorrente. Você precisa saber responder a seguinte pergunta: “O que você sabe do seu negócio que outras empresas não sabem?” 

Respostas como “Máquina de Aprendizagem” e “Melhor Design” normalmente não são o bastante. Você precisa entender que seus concorrentes já estabelecidos tem mais recursos e mais poder de contratação  do que você (Andrew Ng trabalha na Google!). Para batê-los você precisa fazer algo fundamentalmente diferente.

 Erro 4: O ROI (retorno sobre investimento) do nosso produto não fazia sentido algum

O valor agregado que os switches Lumos traziam não justificavam o preço que os consumidores tinham que pagar por eles.

Aprendizado: A equação custo benefício precisa fazer sentido para o consumidor caso contrário ele não irá comprar. Um produto não irá vender porque ele é legal ou porque o mercado está projeto para valer $19 trilhões nos próximos 5 anos. Somente irá vender se os consumidores perceberem um valor significante em seu produto. 

Erro 5: Nós deixamos o valor investido afetar em nossas decisões para pivotar

Não é que não conseguíamos ver os produtos de nosso produto. Nós tínhamos muitas dúvidas em nossa mente. Em uma startup, você sempre tem dúvidas. Mas nós tínhamos produzido tanto. Nós estávamos apaixonados pelo nosso produto. Nós não estávamos preparados para responder as perguntas difíceis que precisam ser respondidas.

É ok ter dúvida sobre seu produto? É normal expor suas dúvidas e fazer com que seu time sinta-se abalado por isto?

Ou ainda achar que expondo seu sentimento de dúvida implica em não estar comprometido com a idéia e visão do grupo que você está?

“É extremamente importante ser sempre transparente sobre suas dúvidas com seus sócios nesta caminhada.”

Isto teria nos salvado de muitos meses de trabalho desnecessário e economizado um bom dinheiro.

Aprendizado: É absolutamente necessário para os fundadores estarem de acordo com a visão da empresa. Embora haja várias formas de se atingir esta visão. Não “case” com a forma de se atingir sua visão. Aceite a possibilidade de ter que começar tudo do começo.

Crie uma cultura de transparência com sua empresa. Incentive o debate e discussão entre os sócios e lide com isto de forma objetiva.  

Erro 6: Nós tentamos fazer tudo para todo mundo

Nós estávamos fazendo switches que poderiam automatizar suas luzes, ventiladores, ar condicionados e aquecedores de água. Nós também teríamos tentado automatizar sua TV, geladeira, fogão e seu carro se fosse fácil de fazê-los.

Nosso argumento de venda era economia de energia e ao mesmo tempo objeto de luxo, isto tornou nosso discurso muito complicado.

Aprendizado: Como uma startup, você tem limitação de recursos. Então é sempre melhor identificar e resolver um único problema ao invés de resolver vários problemas.

A Nest resolveu o problema de aquecimento. A Dropcam e Canary resolveu o problema de segurança. Tente ser um novo remédio para seu cliente ao invés de ser uma simples vitamina. 

Erro 7: Nós subestimamos o hardware

Criar uma startup de sucesso é difícil. Criar uma startup de hardware é 10 vezes mais difícil.

Pebble, com todo o sucesso do Kickstarter ainda está em mas lençóis.

Criar um protótipo é a parte mais fácil de uma startup de hardware. O verdadeiro desafio está no design do produto, engenharia de produção, manufatura, distribuição, marketing e vendas. E você precisa ter amigos na China.

Outro ponto é que a validação de um produto de hardware e seus ciclos de interação são muito maiores do que os de software. Obter investimento é muito difícil; VCs pediram um novo aporte de cerca de ~$1M na Kickstarter/Indiegogo, da última vez que ouvi falar pois o risco inerente a uma startup de hardware é sempre maior.

Gerenciar fluxo de caixa é também algo complexo pois é necessário pagar seus fornecedores mensalmente antes de receber de seus clientes.

Considerando tudo isto, nós não fomos o time certo para criar uma empresa de hardware.

Aprendizado: Entender o mercado em que está entrando e se preparar adequadamente para ele. Traga para seu time pessoas com experiência nesta área ou entre em uma aceleradora como a HAXLR8R. 

Atualmente

Nós decidimos parar com a startup de hardware e IoT e decidimos criar algo que resolvesse o problema que nós enfrentamos e que ganhamos muito experiência. Desde de Gandhinagar (onde a Lumos estava localizada) não havia muitas startups interagindo e compartilhando experiências com outros empresários e isto sempre foi um grande problema para nós. Nós tínhamos que acompanhar um blog de empreendedores na área de lot para nos mantermos atualizados.

Nós decidimos fundar a FundaMine para resolver este problema.

FundaMine é uma comunidade de profissionais para descobrir o que os especialistas em sua profissão estão lendo e discutindo. FundaMine tem comunidades (minas) em Empreendedorismo, Gestão de Produtos, Desenvolvimento Android e IoT. Nos desejam sorte!

Sobre o autor:

Yash Kotak é co-fundador da FundaMine. Antes da FundaMine, ele foi co-fundador de uma startup de automatização para casas chamada Lumos. Ele formou-se como engenheiro elétrico na  IIT Gandhinagar. Yash pode ser encontrado no yashpkotak@gmail.com ou seguido no@YashPKotak.

Espero que tenham gostado deste artigo e que estas dicas possam ser seguidas para os empreendedores que estão com suas empresas na fase Startup. E que não sejam Startups para sempre :-)

Até a próxima.

William Polis

Com mais de 10 anos de experiência em diversos papéis de TI e um ótimo histórico de sucesso na execução de projetos nos mais diversos tipos de mercado (industrial, logístico, atacado, varejo, militar, etc.) e em diferentes portes de empresa (nacionais e multinacionais). Mestrando pela Ufscar, possui foco em inovação com mobilidade.

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