Tendencias do Varejo Mundial para 2015

Eu sou Geovanne Teles e é com muita satisfação que a partir dessa semana começarei a escrever uma coluna para mídias sociais. O objetivo é conversarmos do meu dia a dia e compartilhar com vocês minhas experiências e expectativas. Espero que gostem e compartilhem comigo o que estão achando. Sem mais delongas, gostaria de falar sobre o Big Show da NRF 2015 (National Retail Federation), em Nova Iorque.

Esse foi o sexto ano que participei do maior evento anual focado em tecnologia para varejo. Percebi que algumas tendências apresentadas em outros anos foram consolidadas. Por exemplo, o Omni-Channel já é uma realidade e isso ficou claro em vários stands e palestras. O e-commerce também mostrou sua força. Hoje estar presente no mercado virtual não é mais inovação e sim uma necessidade.

Analisando a realidade no Brasil, fica evidente a disparidade com o mercado norte americano. Grandes players brasileiros atuam fortemente no e-commerce, mas ainda estão engatinhando quando o assunto é Omni-channel. Essa disparidade fica maior quando analisamos o mercado de pequenas e médias empresas, visto que elas ainda não atuam de forma significativa no varejo virtual. Isso é um alerta, pois o mercado mundial caminha nesse sentido. As vendas pela internet aumentam em um ritmo acelerado e o varejista tradicional irá perder vendas se não estiver na web. Os pequenos e médios empresários precisam estar atentos a esse cenário de mudanças, não basta ter apenas um site, é necessário ter uma ferramenta de exposição, interação e de venda via web.

São vários fatores que contribuem para essa disparidade entre o mercado varejista brasileiro e o norte americano. Talvez o principal fator que contribui para esse cenário é o tamanho das redes de lojas. Hoje no Brasil, são poucas as redes que possuem mais de 600 lojas enquanto os Estados Unidos existem centenas de redes com mais de 1000 lojas. Além de conseguirem negociar preços mais atraentes com os seus fornecedores, essas empresas adquirem novas tecnologias por escala, reduzindo o custo de aquisição. Por exemplo, o custo de uma esteira automatizada é muito alto, mas se for comprando em escala sai por 10% do valor original. Por isso é mais comum ver novidades tecnológicas no mercado americano.

Outro ponto que contribui para aumentar a distância entre os dois países é a complexidade do sistema tributário brasileiro. Algumas tecnologias que existem lá fora que facilitam o consumo e que geram conveniência para o consumidor, no Brasil, devido à legislação fiscal acabam impedindo o avanço do mercado nacional.

O terceiro ponto que eu vejo para justificar esse cenário é a questão cultural. O gestor brasileiro de forma geral, devido às dificuldades do dia a dia, não consegue controlar de forma eficiente nem o seu estoque, não consegue também fazer uma análise de rentabilidade dos produtos que comercializa. Sem dúvidas esse fato acaba distanciando o Brasil para aquisição de novas tecnologias, pois a gestão básica da empresa ainda precisa evoluir.

Voltando a atenção para a NRF, um ponto que chamou a minha atenção foi o processo de humanização do relacionamento com o cliente. Por mais contraditório que isso possa parecer, visto que estamos inseridos em um contexto tecnológico, onde as pessoas se relacionam por smartphone, tablets e outros aparelhos tecnológicos. O consumidor não está a vontade pela perda de um relacionamento humano. Em varias palestras que participei foram mencionados os desafios de humanizar o relacionamento com o cliente. As grandes empresas já estão adequando sua estratégia de mercado, propondo ações que passam pelo RH, Logística e outras áreas que impactam na forma como relacionam com o cliente. Por exemplo, mesmo que ele compre pela internet, o consumidor sente a necessidade falar com pessoas e não com máquinas e mensagens de e-mail padronizadas.

Para as empresas maiores realizarem esse tipo de trabalho, pode ser mais difícil devido a complexidade em torno dos detalhes que esse tipo de humanização exige. Sem dúvidas os pequenos empresários podem sair na frente, uma vez que ele consegue ter um relacionamento mais próximo com os seus clientes.

Um ponto positivo que percebi ao longo desses seis anos, é a evolução da automação comercial no Brasil. É fato que muitas vezes a motivação do empresário em adquirir um software de gestão é uma lei fiscal ou uma obrigação da franqueadora. Mas é evidente que os empresários brasileiros estão amadurecendo e reconhecendo a importância do software para realizar a gestão da empresa. Apesar de estarmos longe do ideal, consigo ver uma evolução do mercado nacional.

Para finalizar, quero ressaltar uma palestra que participei na NRF com a comitiva brasileira. Um dos assuntos levantados foi como as pequenas e médias empresas podem concorrer com os grandes varejistas. Uma solução que em um primeiro momento pode parecer paradoxo, mas que tem ótimos resultados é a formação de grupos de compra para pequenos empresários, barateando os seus custos. Hoje os preços estão muito equiparados, portanto o que vai diferenciar empresa A da B é o atendimento e os seus canais de compra.

Alguns conselhos que posso deixar para os varejistas brasileiros após participar da NRF 2015, é que se você ainda não tem e-commerce inicie sua loja virtual o mais breve possível. Sem dúvidas esse o caminho para o novo varejo. A humanização da relação com o cliente também é outro fator de suma importância. E por fim, mas não menos importante, gerencie o seu negócio de forma ainda mais eficiente. É fundamental ter boas práticas de gestão para alcançar resultados satisfatórios.

Forte abraço,
Geovanne Teles, ATS

Texto originalmente publicado em http://www.praticasdegestao.com.br/blog/geovanne-teles/coluna-geovanne/

Republicação autorizada em 30/01/2015.

William Polis

Com mais de 10 anos de experiência em diversos papéis de TI e um ótimo histórico de sucesso na execução de projetos nos mais diversos tipos de mercado (industrial, logístico, atacado, varejo, militar, etc.) e em diferentes portes de empresa (nacionais e multinacionais). Mestrando pela Ufscar, possui foco em inovação com mobilidade.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>